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Dinossauro do grupo dos Anquilosauria com cerca de 146 milhões de anos descoberto em Torres Vedras

  • há 3 dias
  • 2 min de leitura

Uma equipa de investigadores do Centro de Investigação em Paleobiologia e Paleoecologia (Ci2Paleo) da Sociedade de História Natural de Torres Vedras (SHN) concluiu recentemente a escavação, nas arribas do concelho de Torres Vedras, de um fóssil de dinossauro do grupo dos Anquilosauria, com cerca de 146 milhões de anos, que poderá corresponder ao dinossauro mais completo alguma vez encontrado em Portugal.


A descoberta teve início em junho de 2025, durante trabalhos de prospeção e inventário desenvolvidos no âmbito do Sistema de Informação Geográfico Aplicado à Paleontologia. Foi então que Luís Domingos, investigador da SHN, identificou parte de um fémur exposto numa arriba junto à Foz do Rio Sizandro. A intervenção permitiu recuperar o elemento fóssil antes que este fosse destruído pela erosão costeira.


A análise preliminar revelou características pouco comuns, levando a equipa a regressar ao local e a aprofundar os trabalhos. Durante as campanhas seguintes foram recuperadas dezenas de osteodermes - placas ósseas que constituíam a armadura destes animais -, bem como espigões e numerosos elementos do esqueleto, permitindo atribuir o exemplar ao grupo dos Anquilosauria.


Um exemplar excecional do Jurássico Superior


O fóssil encontra-se numa unidade geológica do Jurássico Superior, com aproximadamente 146 milhões de anos. A sua idade torna-o particularmente relevante para o conhecimento deste grupo de dinossauros na Europa.


Os dinossauros do grupo dos Anquilosauria eram herbívoros quadrúpedes, facilmente reconhecíveis pela presença de uma armadura constituída por placas ósseas e, em diferentes partes do corpo, estruturas defensivas como espigões.


O exemplar de Torres Vedras destaca-se também pelo seu excecional estado de preservação. Os trabalhos realizados indicam que cerca de 85% do esqueleto poderá estar preservado. O animal encontra-se numa posição pouco habitual, com o corpo em posição ventral, podendo alguns elementos permanecer ainda ocultos sob as osteodermes, os espigões e a matriz rochosa envolvente.


Escavação concluída e bloco removido


Após várias campanhas de trabalho, a escavação no terreno foi concluída com a remoção do bloco fossilífero que preserva parte significativa do exemplar. Esta operação representou uma das etapas mais delicadas de todo o processo, exigindo a consolidação e proteção do bloco para garantir a segurança dos fósseis durante a sua retirada e transporte.


Com a remoção concluída, inicia-se agora uma nova fase de trabalho. Em laboratório, o bloco será cuidadosamente preparado, permitindo remover progressivamente a rocha que envolve os fósseis e revelar elementos que não eram visíveis durante a escavação.


Só após a preparação e análise detalhada de todos os elementos será possível compreender plenamente as características anatómicas do exemplar e determinar com maior precisão a sua posição no contexto evolutivo dos Anquilosauria.


Pela sua antiguidade, elevado grau de preservação e raridade, este fóssil poderá vir a constituir um dos mais relevantes achados de dinossauros realizados em Portugal nas últimas décadas, reforçando simultaneamente a importância do património paleontológico do concelho de Torres Vedras e do Jurássico Superior português.


A Sociedade de História Natural de Torres Vedras continuará a desenvolver os trabalhos de preparação, estudo e investigação deste exemplar, contribuindo para a preservação e para o conhecimento do património paleontológico nacional.


Estejam atentos às próximas novidades!

Dracopelta zbyszewskii por Pedro Andrade.
Dracopelta zbyszewskii por Pedro Andrade.

 
 
 

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